Relatório de Investimentos

O mês de setembro foi marcado por um forte movimento de risk off, junto com um aumento de volatilidade nos ativos de risco que se deu por conta de uma série de temas no Brasil e no mundo. Nos Estados Unidos, os números de inflação e atividade seguem no radar dos investidores, mantendo-se atentos aos discursos do FED, e avaliando se haverá alguma sinalização sobre mudanças no processo de retirada dos estímulos (tapering), que é esperado para iniciar a partir da próxima reunião do FOMC marcada para o começo de novembro. Já no campo político, o mercado monitora a possibilidade um acordo no Congresso dos EUA para permitir que o presidente Biden aumente o teto da dívida e implemente seu plano de infraestrutura.

Na Zona do Euro, as atenções se voltaram para os choques de energia, com destaque à significativa alta do preço do gás. A situação da oferta de gás, em escala global, não deve ser normalizada no curto prazo e ainda pode piorar com a chegada do inverno. Esta situação, além de impactar diretamente a inflação ao consumidor, que tem acelerado nos últimos meses, também trouxe impactos do ponto de vista fiscal, com redução de tributos em diversos países, reduzindo assim, as estimativas do PIB para bloco Europeu.

No Reino Unido, além dos problemas com relação à alta do preço do gás natural, a situação se agravou devido à crise de abastecimento de combustíveis por conta de escassez de mão de obra no setor logístico. A falta de trabalhadores nesse setor tem afetado a dinâmica de preço e pressionado ainda mais a inflação local.

Há preocupações sobre os possíveis efeitos causados pela crise da Evergrande, a gigante do setor imobiliário com dívida de USD 300 bilhões. O governo chinês continuou com injeções diárias no sistema financeiro para manter a liquidez elevada e pediu às instituições financeiras que apoiem o mercado imobiliário, assim como aliviem as hipotecas de alguns proprietários.

O setor de energia é outro ponto de risco monitorado na China. As recentes interrupções de eletricidade no país fizeram com que houvesse uma piora no sentimento econômico das indústrias de alto consumo de energia, gerando gargalos na oferta global dos insumos de produção das atividades manufatureiras.

No cenário local, o Brasil seguiu a dinâmica global e as incertezas em um cenário de crescimento mais desafiador, além do impacto gerado pela significativa baixa no preço do minério de ferro, que consequentemente, desvalorizou as ações das empresas ligadas à essa commodity, contribuindo para que a bolsa brasileira tivesse o pior desempenho mensal no ano.

Além das questões globais que impactaram no desempenho dos ativos de risco, a inflação local segue como um ponto de atenção. O Banco Central manteve um tom mais duro (hawkish), sinalizando que deve seguir com o ciclo de aperto monetário e pode elevar a Selic para um nível significativamente contracionista. Do lado fiscal, embora a questão dos precatórios esteja caminhando para uma solução, ainda falta encontrar uma fonte permanente de receitas para financiar o novo programa social anunciado pelo governo.

Em virtude dos acontecimentos acima, o desempenho da maioria dos ativos presentes na carteira dos investidores novamente tiveram desempenho abaixo do esperado. O Ibovespa foi a classe de ativos que mais sofreu e encerrou o mês com variação negativa de 6,57%. As curvas de juros seguiram abrindo, que pode ser observado no índice IRF-M, que fechou setembro com rentabilidade de -0,33%, enquanto o IMA-B caiu 0,13%.

Na ponta contrária, o IDA-DI (índice da Anbima que mede o desempenho dos ativos de crédito privado emitidos em CDI) valorizou 0,73% em setembro, e o dólar fechou o mês com alta de 5,63% cotado a R$ 5,44. O IHFA (índice de fundos multimercados da Anbima) também apresentou um bom desempenho em setembro com alta de 0,60%.

Rentabilidade do plano

Setembro: -0,17%
Agosto: -0,20%
Julho: -0,56%
Junho: 0,64% ( 205,18 do CDI )
Maio: 0,97% ( 357,91 do CDI )
Abril: 1,06% ( 105,29 do CDI )
Março: 0,60% ( 298,17 do CDI )
Fevereiro: -0,10%
Janeiro: -0,44%

Acumulado ano: 1,79%

12 meses: 7,31%
24 meses: 8,88%
36 meses: 20,70%